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B12 na veia: vale a pena?

Por Dr. Renato Matos 05/05/2026 - 17:57 Atualizado em 05/05/2026 - 17:58

Cansaço. Queda de cabelo. Falta de concentração. Desânimo.

Para muitos, o diagnóstico parece óbvio: “falta de vitaminas”. E a solução, sedutora: uma aplicação na veia, um soro revitalizante, uma dose de B12 para recuperar a energia. Simples, rápido e caro.

Há um problema. A ciência não acompanha a promessa.

Energia em ampola ou marketing bem embalado?

A vitamina B12 é essencial. Participa do crescimento, da formação do sangue e do funcionamento do sistema nervoso. Isso não está em discussão.

O que está em discussão é o uso dessa verdade para justificar tratamentos sem indicação. Nos últimos anos, a B12 virou protagonista de uma tendência crescente: clínicas que oferecem aplicações para “energia”, “bem-estar”, aumento de imunidade e até fins estéticos.

Não há respaldo científico para essas indicações.

A faixa normal de B12 no sangue fica entre 300 e 900 pg/mL. Níveis persistentemente elevados, acima de 1.000 pg/mL, vêm sendo associados, de forma consistente, a maior mortalidade. Estudos recentes também sugerem associação entre B12 alta e maior risco de alguns tipos de câncer, embora a relação ainda esteja sendo investigada e provavelmente reflita uma doença subjacente, não um efeito direto da vitamina.

Ainda assim, a ideia de que “quanto mais, melhor” continua sendo vendida.

Não é.

A deficiência real de B12 é incomum e ocorre em grupos específicos. Fora desses casos, a vitamina não melhora disposição, não emagrece e não reduz estresse.

Há ainda um detalhe pouco comentado: a via endovenosa praticamente não tem indicação clínica, a exceção rara é a intoxicação por cianeto, em situação hospitalar. Quando a reposição é necessária, ela é feita por via intramuscular ou, na maioria dos casos, por via oral, comprovadamente eficaz.

A própria bula da cianocobalamina injetável aprovada pela FDA, agência americana que regula medicamentos com base em evidências, orienta o uso intramuscular ou subcutâneo profundo, e adverte que a administração intravenosa resulta em excreção quase imediata da vitamina pela urina.

Em outras palavras: boa parte do que se paga vai embora pela urina em poucas horas.

Quem precisa e quem não precisa

Vitaminas não são vilãs. Mas também não são solução universal.

A suplementação de B12 faz sentido em contextos clínicos definidos: veganos, idosos com má absorção, pacientes pós-cirurgia bariátrica, portadores de doenças intestinais, usuários crônicos de certos medicamentos, gestantes em risco, deficiência confirmada por exame ou quadros como neuropatia por carência da vitamina. Nesses casos, o tratamento é eficaz, simples e quase sempre feito por via oral.

Para a maioria das pessoas, o essencial continua sendo o básico: alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física.

Não uma bolsa de soro.

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