Por Benito Gorini
16/06/2026 - 16:56 Atualizado em 16/06/2026 - 17:08
Na Copa de 2022 publiquei o blog “Brasil Favorito” no portal 4oito. Comentei sobre o favoritismo do Brasil e argumentei que era preocupante porque nas copas de 1950, 1966 (após o bicampeonato de 58/62), 1982, 1998 e 2014 o Brasil era um dos favoritos e não ganhou.
Já nas copas de 1970, 1994 e 2002 o Brasil não estava no topo dos favoritos, mas acabou ganhando.
No artigo, que será reproduzido abaixo, fiz o seguinte comentário:
“E como Deus é brasileiro vamos torcer para tudo dar certo. O meu medo é que o Papa é argentino e o ET Messi está em grande fase.”
E apesar de ter vibrado com a derrota da seleção Argentina no primeiro jogo contra a Arábia Saudita, o receio se confirmou e os hermanos foram campeões.
Como não somos favoritos nesta copa, principalmente após o péssimo futebol apresentado contra o Marrocos, espero que a escrita se confirme e possamos conquistar o hexa.
E a esperança aumentou com o vexame da poderosa Espanha, da Bélgica e do Uruguai. Só nos restar torcer e rezar.
Por Benito Gorini
09/06/2026 - 09:58 Atualizado em 09/06/2026 - 10:02
Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore. Estes são os cinco vilarejos que fazem parte de Cinque Terre, no sentido norte-sul, um local paradisíaco da Liguria. Visitamos a região partindo de Milão de carro, após uma confraternização com os amigos do Giro Alpino nos Navigli, bairro boêmio da capital da Lombardia.
Com os amigos Jairo, Kakike e Mazinho do Giro Alpino nos Navigli, complexo de bares e restaurantes de Milão, local ideal para uma “birra alla spina” | Foto: Mazinho RochaO Naviglio Grande, um dos canais que compõem “I Navigli”, rede projetada por Leonardo da Vinci | Foto: Mazinho Rocha
Partindo de Milão visitamos o Serravalle Designer Outlet – o maior da Europa - e continuamos a viagem até Sestri Levante, uma bela e pacata cidade ainda livre da horda que invade os destinos turísticos mais conhecidos da Itália. Pernoitamos por duas noites em Sestri Levante e visitamos o seu centro histórico, com duas baías que lembram Zimbros e Mariscal, em Bombinhas.
As baías de Sestri Levante | Fonte: italiani.it
Na manhã seguinte deixamos o carro na estação e fomos de trem até Levanto, a porta de entrada para Cinque Terre. O passe regional “Cinque Terre Treno MS Card” é a melhor maneira de se conhecer a região, incluindo também as cidades de Levanto e La Spezia. O passe é válido por 1 dia, com viagens ilimitadas. O preço para adultos é variável, entre 18,50 e 35,00 euros, dependendo da idade e temporada. Crianças têm desconto.
No percurso pudemos contemplar a maravilhosa paisagem nos espaços entre os diversos túneis. Visitamos todas as cidades, com exceção de Corniglia, a única que não se localiza à beira-mar.
Passamos por Monterosso e Vernazza, a mais bela das cinco. Em seguida visitamos Riomaggiore e retornamos de barco até Manarola, continuando de trem a Sestri Levante. Um dia maravilhoso, com paisagens de tirar o fôlego.
Mazinho, Salvalaggio e Beto em Vernazza, a mais bela cidade de Cinque Terre Riomaggiore, a cidade mais ao sul de Cinque Terre
Na manhã seguinte atravessamos os Apeninos por estrada sinuosas e participamos do “Festival del Prosciutto” em Langhirano, famosa pela qualidade de seus produtos. Também incluído nas opções gastronômicas o Parmigiano Reggiano, o Salame di Felino e o Culatello di Zibello, que fazem a fama da província de Parma, a capital gastronômica da Itália.
Festival del Prosciutto em Langhirano, cidade na Província de Parma
Fechamos o dia com chave de ouro visitando o Museu da Ferrari em Maranello antes do retorno a Milão, onde encontramos os outros participantes do grupo, que preferiram ir ao GP de F1 em Monza.
Museu da Ferrari, em Maranello
Destaques
I Navigli, em Milão
A Baía do Silêncio e a Baía das Fadas, em Sestri Levante
A viagem de trem e o passeio de barco em Cinque Terre
O Castello Doria em Vernazza
A Via dell’Amore, entre Riomaggiore e Manarola, considerada a trilha mais romântica do mundo
Por Benito Gorini
02/06/2026 - 19:15 Atualizado em 02/06/2026 - 19:21
Chama-se Via Crucis ou Via Sacra o caminho percorrido por Jesus em Jerusalém, desde o Tribunal de Pôncio Pilatos, percorrendo a Via Dolorosa e terminando no Gólgota, ou Monte Calvário, onde atualmente se encontra a Basílica do Santo Sepulcro.
No interior de muitas igrejas existem painéis com as estações da Via Sacra. Em Nova Veneza temos uma Via Crucis especial, idealizada por Nicola Gava e o Padre Vilmar Moretti, com apoio do empresário Sanciro Ghislandi. Os capitéis – pequenas construções ou oratórios à beira de estradas, uma série de 14 estações - foram construídas ao longo de 1,8 km, da Igreja Matriz São Marcos à Capela do Cristo Crucificado, no vizinho município de Siderópolis. Os esboços originais foram confeccionados por Arlinda Volpato, sendo modificados posteriormente por Márcia Regina Gava e Carmen Beatriz Ghislandi.
À propósito, Nova Veneza deveria pensar em uma forma de homenagear o saudoso “Bauco ma non tanto” que tanto fez pela cidade.
O documentário sobre a Via Crucis de Nova Veneza-Siderópolis I Fonte: YouTube Via Crucis Nova Veneza Bmnt/SG Karla Ribeiro
Lembro com saudades dos repiques dos sinos chamando os fiéis para as celebrações religiosas ou os tristes dobres anunciando a morte de alguém. Me recordo também do Padre Amilcar enfurecido dando bronca nos fiéis que ficavam na porta da igreja. Acho que pretendiam escapar das costumeiras missas com duas horas de duração. Mas era uma doce pessoa, justamente homenageado com uma Praça ao lado da Igreja Matriz.
Na realidade uma lembrança muito especial para mim. Padre Amilcar chegou em Veneza em 1953, ano do meu nascimento.
Praça Cônego Amilcar Gabriel, ao lado da Igreja e do Centro de Atendimento ao Turista I Foto: Acervo pessoal
Placa Comemorativa na Praça Cônego Amilcar Gabriel I Foto: Acervo pessoal
No entanto uma grande recordação era o pungente Canto da Verônica, interpretado durante duas décadas por Olírica Moro Ghisleri enquanto desenrolava um tecido mostrando o rosto ensanguentado de Jesus. Sua memória está preservada no capitel VI da Via Crucis em frente ao Petrus, Centro de Eventos de Isauro Kirchner , um alemão que adotou a cidade mais italiana de Santa Catarina ao casar com a veneziana Neusa Pasetto.
Detalhe da Estação VI da Via Crucis em Nova Veneza I Foto: Acervo pessoal
Placa “O Vos Omnes” título do Canto da Verônica, homenageando Olírica Moro Ghislere e as cantoras que a sucederam, na base do capitel VI I Foto: Acervo pessoal
Lembranças da minha terra, como os banhos no Rio Mãe Luzia, as peladas descalço pelos campos improvisados da região e as brigas nos jogos de futebol. Mas isto é assunto para um outro blog.
Em fevereiro de 1945, Churchill, Roosevelt e Stalin, os líderes das Potências Aliadas, se reuniram em Yalta, na Crimeia, para decidirem o futuro do mundo pós Segunda Guerra Mundial. Cinco meses após, em julho, houve nova reunião, em Potsdam, capital de Brandemburgo.
Visitei a cidade e seu magnífico parque em um bate-volta a partir de Berlim. No parque ficam os Palácios Sanssouci, construído pelo rei Frederico II da Prússia e o Cecilienhof, local do evento. Na Conferência de Potsdam não estava presente Roosevelt, que havia falecido em abril e substituído pelo novo presidente Harry Truman.
Churchill também não compareceu pois havia perdido o cargo para Clement Attlee, do Partido Trabalhista, em uma das maiores injustiças da política. Churchill que havia assumido como Primeiro Ministro em 1940, comandou o Reino Unido praticamente durante toda a guerra, resistindo bravamente aos bombardeios diários sobre Londres, efetuados pelos bombardeiros Junkers, Dornier e Heinkel da Luftwaffe, escoltados pelos velozes caças Messerschmitt.
Também liderou o país em diversos episódios, como a espetacular Retirada de Dunquerque - que salvou milhares de britânicos e franceses – e o Dia D, que iniciou a derrocada das forças do Eixo. Mas no mundo político a gratidão não é uma qualidade presente, muito pelo contrário. Os interesses pessoais e manobras escusas dominam o cenário.
Felizmente houve um reconhecimento posterior e Churchill retornou ao poder em 1951, tendo sido inclusive agraciado com o Nobel da Literatura em 1953. Attlee herdou o país totalmente destruído e não pode fazer muita coisa.
Churchill, Roosevelt e Stalin na Conferência de Yalta
Roosevelt foi o responsável pelo New Deal, importante programa de governo para combater a Grande Depressão de 1929. Truman ordenou as bombas atômicas sobre Nagasaki e Hiroshima, uma clara vingança sobre o ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.
Podemos até aceitar o argumento que a bomba sobre Nagasaki era necessária para forçar a rendição do Japão, que resistia bravamente com os ataques kamikazes, em que pilotos suicidas lançavam seus Mitsubishi A6M Zero carregados de bombas sobre navios aliados.
Mas não há desculpa para a segunda bomba, com o Japão já totalmente derrotado. Truman também idealizou a doutrina que leva seu nome, prometendo apoio político militar e econômico a nações ameaçadas pela expansão comunista, dando início à Guerra Fria. Stalin... Bem, todos sabemos, um dos maiores criminosos da humanidade, pior até que Hitler. Ordenou o Massacre de Katyn, em que 22 mil poloneses, a maioria oficiais do Exército, foram brutalmente assassinados.
Assista
Katyn, filme polonês de 2007 dirigido por Andrzej Wajda
O Destino de uma Nação (Darkest Hour) filme de 2017, dirigido por Joe Wright, enfatizando os primeiros dias de Churchill como Primeiro Ministro. Disponível na Netflix
Dunkirk, filme de 2017 dirigido por Christophe Nolan sobre a Retirada de Dunquerque. Disponível no Prime Video
“We shall never surrender”, famoso discurso de Churchill logo após Retirada de Dunquerque. Vários vídeos disponíveis no YouTube
Por Benito Gorini
19/05/2026 - 09:18 Atualizado em 19/05/2026 - 09:41
No terceiro Giro Alpino, um roteiro de moto pelos Alpes italianos, suíços, austríacos e alemães, o nosso grupo ficou hospedado no Hotel Chalet Queen em Alba Canazei, bem ao lado do teleférico que conduz ao Monte Ciampac. A famosa e difícil pista de esqui Ciampac desce do topo da montanha, a 2100 metros, até a frente do hotel.
Os parceiros do Giro Alpino III: Salvalaggio, Beto, Mazinho, Tiago e Gelson no Chalet Queen I Foto: Grupo Giro Alpino
Canazei, na divisa entre o Trentino e o Veneto, é excelente ponto de partida para o Sellaronda, rota circular passando por quatro passos alpinos, com paisagens deslumbrantes. A íngreme subida até o Passo Pordoi, muito utilizada no Giro d'Italia, é fantástica.
Chama-se Cima Coppi ao ponto mais alto de cada edição do Giro d'Italia. É uma homenagem a Fausto Coppi, figura lendária do ciclismo italiano. E o Passo Pordoi é o campeão, com seus 2239 metros e 13 participações. No entanto o mais alto de todos é o Passo dello Stevio, com 2757 m e 10 participações.
Pódio do Stelvio, o Cima Coppi por excelência I Foto: Grupo Giro Alpino
Continuando o passeio descemos até Arabba, já no Veneto, com duas opções. Quem segue direto alcança o Passo Falzarego chegando a Cortina d’Ampezzo, a cidade mais famosa das Dolomitas. Nós viramos à esquerda, subimos até o Passo Campolongo e chegamos em Corvara, uma das mais belas cidades alpinas. Mais um desvio à esquerda e passamos pelo Passo Gardena, costeando as montanhas e chegando ao Passo Sella, o último dos quatro. Dali começa uma forte descida, retornando a Canazei.
O espetacular Sellaronda I Fonte: YouTube/sellaronda/edelweissbiketravel
Chegando em Corvara,uma das mais belas cidades das Dolomitas. Crédito: Mazinho Rocha
Mas voltemos ao Monte Ciampac, que fica próximo ao Marmolada, a mais alta montanha das Dolomitas, com 3343 m. Conta a lenda que era a morada da princesa Soreghina. Se ficasse acordada após a meia-noite, morreria. A letra de “La Montanara”, uma das mais belas canções do folclore alpino, descreve a pequena e doce cabana coberta de flores de Soreghina, a filha do sol (“una capanna cosparsa di fior, era la piccola dolce dimora, di Soreghina la figlia del sol”). É uma das músicas preferidas pelos corais italianos.
O Grupo Coral Peregrinos da Montanha de Caravaggio cantando La Montanara na Vinícola Borgo, , em Nova Veneza Fonte: YouTube/lamontanara Peregrinos da Montanha
Por Benito Gorini
13/05/2026 - 10:45 Atualizado em 13/05/2026 - 10:45
Chama-se Determinismo Nominativo a teoria de que a profissão tem uma correlação direta com o nome das pessoas. José Simão, o “Esculhambador Geral da República“ comandou por muitos anos o “Buemba!Buemba!”, programa veiculado na BandNews FM e na Folha de São Paulo. Simão foi um mestre no assunto, com tiradas irônicas e bem-humoradas. Um quadro do Buemba era Predestinados, em que Simão relacionava o nome com as profissões, auxiliado por mensagens de ouvintes de todo o Brasil. Em 2023 resolveu se aposentar do Rádio e foi descansar na Bahia.
O urologista Máximo Pinto, a nutricionista Juliana Pizza, o oceanógrafo Henrique Ilha, o geriatra José Carlos Velho, o veterinário Gustavo Coelho e o advogado especialista em direito previdenciário Matusalém dos Santos são alguns dos inúmeros predestinados coletados pelo humorista.
Ricardo Boechat, um dos jornalistas mais influentes e premiados do Brasil, tragicamente falecido na queda de um helicóptero em São Paulo em 2019, era apresentador do programa e também dotado de um humor ácido, fazendo um contraponto com José Simão nas manhãs da BandNews.
Moacyr Scliar, médico, professor universitário, prolífico escritor (autor de 74 livros) e membro da Academia Brasileira de Letras, também se interessava pelo assunto. Na sua coluna na Zero Hora abordava o tema de uma forma mais literária. O dentista Dr Sorriso, o advogado Dr Justo, o médico Fernando Cura, o advogado tributarista Sérgio Fiscal e a cabeleireira Leda Penteado são alguns dos seus achados.
Recomendações de leitura:
A Esculhambação Geral da República, livro onde José Simão reúne crônicas, análises satíricas e piadas sobre o cotidiano brasileiro
A Paixão Transformada, interessante livro de Moacyr Scliar, embora sem relação com o assunto abordado no blog. Scliar escreve sobre a história de médicos e cientistas que com suas descobertas mudaram o curso de muitas doenças, frequentemente fatais. Muito pertinente nesses tempos obscuros de negacionismo
Por Benito Gorini
04/05/2026 - 11:32 Atualizado em 04/05/2026 - 11:45
Em frente ao Palazzo Vecchio, sede da prefeitura e museu, encontra-se a cópia do David, de Michelangelo. O original, um gigante de 5,17 metros e 5.560 kg esculpido em um único bloco de mármore de Carrara, encontra-se no Museo dell'Accademia. Na Loggia dei Lanzi, espaço abrigado e com arcadas, estão as esculturas em mármore Rapto das Sabinas e Hércules e o Centauro, de Giambologna, e Perseu com a cabeça da Medusa, fantástica obra em Bronze de Benvenuto Cellini. A Loggia recebeu este nome por ser o local em que acampavam os lanceiros alemães (landsknecht) que faziam a proteção de Cosimo I de Medici e chamados de lanzichenecchi em italiano.
Fotos da família na Piazza della Signoria
A Loggia del Lanzi. Ao fundo, à esquerda, a cópia do David de Michelangelo em frente ao Palazzo Vecchio, com o Museu Uffizi ao lado
Perseu com a cabeça de Medusa, de Cellini
O Rapto das Sabinas e ao fundo Hércules e o Centauro, esculturas de Giambologna
Ao lado do Palazzo Vecchio fica a Fonte de Netuno, de Ammannati. Os florentinos não gostaram da obra, apelidada de Biancone, e ainda ridicularizaram o escultor com umas frase: Ammannato, Ammannato, che bel marmo hai rovinato (que belo mármore você arruinou). No centro da praça encontra-se a estátua equestre em bronze de Cosimo I, esculpida por Giambologna entre 1587 e 1594. Foi inspirada nas estátuas dos grandes escultores do século XV Donatello e Verrocchio que homenagearam respectivamente os condottieri Gattamelata, em Pádua e Bartolomeu Colleoni, em Veneza.
“Il Biancone” da Fonte de Netuno, de Ammannati, ao lado do Palazzo Vecchio
O monumento equestre de Cosimo I, de Giambologna
A Arte Tumular, conjunto de obras artísticas criadas para decorar jazigos, mausoléus, capelas e igrejas, é pródiga em obras de arte. O Père Lachaise, famoso cemitério de Paris, recebe 3,5 milhões de visitantes todos os anos. Merecem destaque Highgate em Londres, Cimitero Monumentale de Milão, Staglieno de Gênova, Zentralfriedhof de Viena e Recoleta em Buenos Aires. No Brasil destacam-se o São João Batista no Rio, Consolação em São Paulo e o Cemitério da Santa Casa em Porto Alegre, que conta inclusive com visita guiada.
A Capela dos Medici em Florença, o Escorial próximo de Madri, o Memorial dos Habsburgos em Viena e as Abadias de St. Denis em Paris e de Westminster em Londres, serão melhor abordados em um blog futuro.
Praças, Parques e Jardins com obras de arte
Praça Vigeland, o maior conjunto do mundo de esculturas de um mesmo autor, em Oslo
Jardins das Tulherias em Paris
Jardins de Luxemburgo ao lado do Palácio, sede do Senado da França
Hyde Park em Londres
Prato della Valle em Pádua
Jardins do Pincio, com bela vista da Piazza del Popolo e do Vaticano
Jardins do Palazzo Borghese, em Roma
Bustos de 84 heróis da unificação da Itália e monumentos em homenagem a Garibaldi e Anita na colina do Gianicolo, em Roma
Jardins de Boboli, no Palazzo Pitti, em Florença, com entrada paga
Por Benito Gorini
20/04/2026 - 08:51 Atualizado em 24/04/2026 - 14:04
Sempre me interessei pela etimologia dos nomes próprios, que estuda a origem e o significado histórico dos nomes, baseando-se em características físicas, locais de origem, profissões ou virtudes. Me vem a memória o nome do anestesiologista Simão Rodrigues, com quem convivi muitos anos no Hospital São João Batista. O Simão era uma grande figura, com vasta cultura. Pertenceu à Marinha Mercante, conheceu muitos países adquirindo grande conhecimento. Conversava com ele sobre astronomia, história, música e assuntos diversos. Lembro com saudades dos jantares em “petit comité” na sua casa , onde se degustava um excelente bacalhau, fazendo jus a sua herança portuguesa. Eram presenças constantes os Drs Francisco Marinho, Gilberto Nuernberg e Filemon Ribeiro, já falecidos, além de Rui de Lucca e Orlando Kujawski. Faleceu em acidente de moto em Criciúma. Foi casado com a minha prima Berenice Gorini. Com a separação, tornou-se um crítico ácido dos italianos. Dizia que muitos sobrenomes italianos eram pejorativos enquanto os de origem alemã enalteciam a profissão. Tinha razão e este é um dos motivos deste blog. Vamos aos sobrenomes :
Italianos
Gambalonga – Perna comprida
Malatesta – Cabeça ruim mas também dor de cabeça Segismondo Malatesta (que nome !), senhor de Rimini, foi importante condottiero
Testoni – Cabeça grande.
Pazzi – Louco ou excêntrico. Sobrenome de poderosa família florentina
Schiavo – Escravo
Schiavoni – Eslavo. Em Veneza existe a famosa Riva degli Schiavoni
Bevilacqua – Bebedor de água
Mutti – Mudo. Ricardo Mutti é um famoso regente
Zoppo/Zoppi – Manco, coxo
Sposito/Innocenti – Comumente associado a crianças abandonadas ou órfãos. Em Florença existe o Ospedale degli Innocenti, o primeiro hospital da Europa para crianças abandonadas
Gobbi – Corcunda. Tito Gobbi foi importante barítono. Sua interpretação do cruel Scarpia, na ópera Tosca, contracenando com Maria Callas, é lendária
Tito Gobbi interpretando La Montanara, no filme The Glass Mountain, de 1949 I Fonte: YouTube/La Montanara /Vincent di Placido
Ospedale degli Innocenti, em Florença I Fonte: YouTube/Hospital dos Inocentes/Niobe Furtado Barbosa
Sugestão de leitura: Grandes Pecadores, Grandes Catedrais, livro de Cesare Marchi. Especialmente o capítulo “Assassinato em Santa Maria del Fiore”, sobre a morte de Giuliano de Medici no Duomo de Florença, que ficou conhecido como Conjuração dos Pazzi
Alemães
Schneider – Alfaiate
Schmidt/Schmitz/Schmitt -Ferreiro
Steiner – O que trabalha com pedra
Weber – Tecelão
Becker – Padeiro
Wagner – Fabricante de carroças
Fischer – Pescador
Richter – Juiz
Koch – Cozinheiro
Kramer - Comerciante
Schumacher – Sapateiro
Zimmermann – Carpinteiro
Müller – Moleiro, o que opera um moinho
Hochmüller/hockmüller – Literalmente Moleiro do Alto. Sobrenome do jornalista Thiago, que me auxilia na montagem do blog
Por Benito Gorini
09/04/2026 - 15:02 Atualizado em 09/04/2026 - 15:55
Os nossos antepassados emigraram para o Brasil em situação de grave penúria, motivada pela grande instabilidade política, religiosa e econômica. As lutas pela unificação da Itália, a perda do poder temporal da Igreja e a mecanização, com o consequente desemprego e empobrecimento da população, foram importantes fatores da imigração, principalmente do norte da Itália, principal teatro de operações das batalhas contra o Império Austro-húngaro. Aqui “I nostri antenati” enfrentaram toda a sorte de problemas, transformando-se em autênticos desbravadores. Com a força de seus braços, a criatividade e a ousadia empresarial, forneceram o arcabouço para o enorme crescimento econômico e material de nossa região.
Um exemplo que ilustra muito bem o exposto é o da família Bortoluzzi. Bortolo, a esposa Antônia de March e os filhos pequenos Giovanni e Giuseppe, provenientes de Soverzene na província de Belluno, emigraram da Itália em busca de melhores condições de vida, iludidos por grande campanha publicitária enaltecendo o país como a “Terra della Cuccagna”, com terras férteis e fartura. Ao chegarem em Azambuja em 1877 - a primeira colônia do sul catarinense - constataram que a realidade era outra. Poucos dias depois nasceria Humberto. Em 1891 foi criada a Colônia Nova Veneza - a primeira do Brasil República – e os três irmãos mudaram-se para o novo núcleo colonizador. Os Bortoluzzi instalaram inicialmente serraria, atafona e posteriormente fundaram a fábrica de produtos suínos. O crescimento foi vertiginoso, pela capacidade empreendedora dos irmãos e ausência de concorrentes diretos. Grande patrimônio foi formado na primeira metade do século XX mas a morte dos irmãos, concorrência de grandes empresas e o enorme número de herdeiros, acabou determinando o encerramento das atividades na década de 1960. No, entanto permaneceu importante legado, como patrimônio arquitetônico, farta documentação e rica participação política, cultural e econômica de Nova Veneza e região.
Fotos do acervo de minha tia Irma Bortoluzzi Crevanzi, filha de Giuseppe Bortoluzzi e Irene Pessi Bortoluzzi
LegendaLegenda
Livro Caixa da Indústria e Comércio Bortoluzzi SA
Legenda
Os Irmãos Giuseppe, Giovanni e Humberto
Fotos do acervo de minha mãe Diva Gorini Borges, filha de Alice Bortoluzzi e Mário Gorini e neta de Giuseppe Bortoluzzi
O Comércio dos Irmãos Bortoluzzi, atualmente o restaurante Casa do Chico Galeteria & Pizzaria, no centro de Nova Veneza
O Comércio dos Bortoluzzi na década de 1960, com as atividades já encerradas
A Fábrica de produtos suínos dos Bortoluzzi, sendo demolida
O brasão da família Bortoluzzi I Foto: Acervo pessoal
Lápide do túmulo do meu bisavô Giuseppe (José) Bortoluzzi, no Cemitério Municipal de Nova Veneza, o mais longevo dos irmãos. Giovanni faleceu em 1925, com 53 anos e Humberto em 1937 aos 60 anos I Foto: Acervo pessoal
Por Benito Gorini
19/03/2026 - 09:15 Atualizado em 19/03/2026 - 09:25
A música tem o dom de unir as pessoas, apesar das barreiras linguísticas e geográficas. Um exemplo clássico é Lili Marlene (Lili Marleen em alemão) famosa canção popular escrita por Hans Leip. O poema fala de um soldado se despedindo de sua namorada sob um lampião, na Primeira Guerra Mundial. Explodiu (não literalmente) durante a Segunda Guerra Mundial, tornando-se a música mais ouvida por soldados em ambos os lados do conflito. Embora tenha sido usada na propaganda nazista, a música atravessou fronteiras e tornou-se um símbolo de humanidade para os soldados nas trincheiras, simbolizando a saudade e o desejo de retornar para casa em meio às sangrentas batalhas. Tanto as tropas aliadas como as forças de eixo a ouviam. A atriz alemã Marlene Dietrich - naturalizada americana - gravou a canção e se apresentava para as tropas aliadas no front da guerra. Foi traduzida para vários idiomas, inclusive o português.
Os pracinhas da FEB, que se destacaram rompendo a Linha Gótica Alemã nas batalhas de Monte Castello, Montese e Fornovo di Taro, cantavam a música durante a campanha na Itália em 1944/45. O Brasil foi o único país da América do Sul a participar da guerra. A demora em se unir aos aliados acabou por originar o ditado “A Cobra vai fumar”, significando que seria mais fácil uma cobra fumar que o Brasil entrar na guerra. No entanto 25.000 soldados - os pracinhas - foram enviados à Itália e o exército adotou a frase e o símbolo de uma cobra fumando cachimbo como um sinal de coragem, orgulho e provocação. Muitos brasileiros morreram nos campos de batalha e foram sepultados no Cemitério de Pistoia.
Certificado de Reservista de Antônio Milioli (in memoriam), que participou da campanha na Itália I Foto encaminhada pelo seu filho Luiz Gonzaga Milioli, ex-treinador do Criciúma Esporte Clube e amigo de longa data A Cobra vai fumar, símbolo da FEB
O Museu dos Expedicionários, em Curitiba l Fonte: YouTube/Exército Brasileiro
O Museu em Montese, local de uma das mais sangrentas batalhas em abril de 1945 I Fonte: YouTube/karina pópolo museo storico di montese
Por Benito Gorini
13/02/2026 - 10:19 Atualizado em 13/02/2026 - 10:29
O litoral sul do Brasil, do Cabo de Santa Marta até o Chuí, é uma reta contínua, sem a presença de baías e enseadas. A dificuldade de acesso pelo mar atrasou o desenvolvimento da região, sendo que em 570 km só duas cidades dispunham de portos naturais, Laguna e Rio Grande. Estas áreas abertas e planas são propícias aos fortes ventos, que com frequência se transformam em tempestades e ciclones. Além disso, a presença de baixios - bancos de areia e lajes - causaram muitos naufrágios, sendo necessária a construção de um Farol no Cabo de Santa Marta para orientar a navegação, inaugurado em 1891. O farol funcionou a querosene até 1941, quando foi eletrificado por geradores a diesel, substituídos em 1981 pelo fornecimento direto da rede.
Farol de Santa Marta, aberto à visitação pública no primeiro final de semana de cada mês | Foto: Arquivo pessoalEscada com 142 degraus que leva ao topo do farol | Foto: Arquivo pessoal
O Parcel ou Pedra de Campo Bom - conhecido como cemitério de navios - foi o responsável por cerca de 72 naufrágios. O mais famoso foi o do Vapor Rio Pardo (Farroupilha segundo algumas fontes), comandado por Garibaldi, que naufragou em 1839. O barco foi a pique atingido por uma “onda do tamanho de uma montanha”, nas palavras do próprio Garibaldi, causando a morte de 16 dos 30 tripulantes. O Seival, outro lanchão que acompanhava o Rio Pardo, conseguiu chegar a Laguna pela Barra do Camacho, surpreendendo as forças imperiais que se concentravam no canal da Barra de Laguna. Em seguida Garibaldi, conheceu Anita e com outros revolucionários fundaram a República Juliana, de efêmera duração. Hoje o local, apelidado de Laje da Jagua, atrai surfistas de todo o mundo em busca de suas ondas gigantes.
Por Benito Gorini
29/01/2026 - 14:25 Atualizado em 29/01/2026 - 14:28
Galileo Galilei, ao observar a oscilação de um lustre no interior da Catedral de Pisa formulou as leis do movimento pendular. Em janeiro de 1.610, aperfeiçoando um telescópio desenvolvido na Holanda 1 ano antes, descobriu quatro luas de Júpiter, posteriormente denominadas Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Isso vinha de encontro aos dogmas da igreja católica, que considerava o universo imutável, centrado na Terra, que permanecia parada com tudo girando ao seu redor. Além disso era um forte indício de que a Teoria Heliocêntrica de Copérnico estava correta. Galileo teve que se retratar, para evitar o destino de um outro grande cientista, o filósofo e teólogo Giordano Bruno, condenado a morrer na fogueira em 1.600 no Campo dei Fiori, em Roma. No entanto, nos últimos momentos de sua longa existência, Galileo afirmou: “Eppur si muove”.
A tumba de Galileo Galilei na Igreja de Santa Croce, em Florença, onde estão sepultados Michelangelo, Maquiavel e RossiniCampo dei Fiori, mercado de rua de Roma com o monumento de homenagem a Giordano Bruno
Hoje teremos a oportunidade de visualizar o mesmo que Galileu observou há 416 anos. O planeta Júpiter encontra-se bem visível. Entre 22 e 24h está localizado bem alto no céu, próximo à lua crescente. As Três Marias, no centro da Constelação de Órion, podem servir como ponteiro. Olhando para leste vamos chegar a Sirius, no Cão Maior, a estrela mais brilhante do céu, na verdade uma estrela dupla. Logo abaixo está Júpiter. Utilize um telescópio ou um bom binóculo e “voilà”: as quatro luas de Júpiter bem visíveis (ou três, dependendo do momento). Se não dispuser de um equipamento adequado poderá visitar o Observatório Astronômico Albert Einstein E=mc2. As observações astronômicas com telescópio estão disponíveis, de quinta a domingo, das 20h às 21h, sempre que as condições climáticas permitirem.
O Observatório Astronômico Albert Einstein mc2 I Crédito: Viva Criciúma - Prefeitura Municipal de Criciúma
Assista:
A Vida de Galileu, filme de Joseph Losey baseado na peça de Bertold Brecht.
Por Benito Gorini
21/01/2026 - 09:29 Atualizado em 21/01/2026 - 09:35
O universo das músicas eruditas é imenso e mesmo acostumado a ouvi-las com frequência sempre surge alguma novidade. Este é o caso de “Come um sogno d'or”, música do compositor italiano Enrico Toselli, também conhecida como “Serenata Rimpianto”. E realmente a letra é um lamento por um amor perdido. Toselli, conde de Montignoso, nasceu em Florença em 13 de março de 1883. Sua fama deriva não de sua capacidade como músico, mas sim do relacionamento escandaloso com a arquiduquesa Luísa da Áustria-Toscana, ex-princesa-herdeira da Saxônia. Luísa, com alguns casos extraconjugais, havia abandonado seu marido Frederico Augusto, príncipe-herdeiro e futuro rei da Saxônia. O casamento com Toselli durou só cinco anos. O compositor morreu na sua bela Florença aos 42 anos, de tuberculose. A doença foi a responsável pela morte de muitos poetas, músicos, escritores e pintores, principalmente no século XIX, antes do surgimento das vacinas, tão contestadas atualmente mas que indubitavelmente salvaram e continuam salvando vidas.
Come um sogno d’or, na voz do tenor Mario Lanza I Crédito: YouTube/megamusicover1234
Algumas belas composições clássicas não muito executadas e pouco conhecidas:
A tanto duol, da ópera Bianca e Fernando, de Vincenzo Bellini, do filme O Mestre da Música;
Chi el bel sogno di Doretta, da ópera La Rondine, de Puccini;
Mi par d’udir ancora, da ópera Les Pecheurs des Perles, de Bizet. Existe uma gravação com Nei Matogrosso;
Ebben? Ne andro lontano, da ópera La Wally, de Alfredo Catalani, morto também de tuberculose aos 39 anos;
The Heart is slow to learn, de Andrew Lloyd Webber, com Kiri Te Kanawa.
Por Benito Gorini
12/01/2026 - 15:57 Atualizado em 12/01/2026 - 16:11
Há poucos dias, conversei com uma caixa de supermercado de Criciúma, uma entre milhões de refugiados venezuelanos que fugiram do regime ditatorial de Nicolás Maduro. Ela me relatou que tinha curso superior, mas precisou deixar o país por perseguição política e pela grave crise econômica. Questionada se voltaria à Venezuela após a queda de Maduro respondeu negativamente, argumentando que a situação ficaria muito difícil pois levaria um bom tempo para a plena recuperação do país - outrora rico embora muito desigual - destruído pelo regime bolivariano.
Por isso, comemorei efusivamente a queda do ditador, um usurpador do poder após ter sido derrotado fragorosamente nas urnas. No entanto, surge uma grande preocupação sobre a invasão a um país soberano, o que pode ensejar futuras ações semelhantes, como a anexação de parte da Ucrânia pela Rússia e a tomada de Taiwan pela China. Mas não havia outra maneira de conter Maduro. Acredito que todos os regimes ditatoriais, de direita ou esquerda, deveriam ser extintos pelas atrocidades cometidas.
Já ocorreu com Saddam Hussein, Muamar Kadafi, Bashar al-Assad e mais antigamente com Hitler, Salazar, Franco e ditaduras militares da América Latina, em ordem cronológica. Cuba resiste bravamente, mas é o maior exemplo da socialização da pobreza. Esperamos agora a queda do genocida Netanyahu, do sanguinário Putin, do doido Kim Jon-un e do regime retrógrado dos aiatolás no Irã, na antiga Pérsia de grande cultura e tradição.
Embora esteja de acordo com a recente operação militar americana, as atitudes tresloucadas de Trump (agora quer anexar a Groenlândia) o tornam um forte candidato ao ostracismo político. Seus detratores o chamam de arrogante, intempestivo, egocêntrico, narcisista, egoísta, ambicioso, racista, homofóbico, caótico y otras cositas más. Já os admiradores o consideram inteligente, forte, determinado, patriótico e bem-sucedido. E em vez do Nobel da Paz poderia entrar para o Guinness pela quantidade de adjetivos atribuídos a ele. Mas perderia feio para um conhecido político brasileiro.
Ditadores sanguinários existem em todo o amplo espectro ideológico, desde a extrema-esquerda venezuelana de Nicolas Maduro ao radicalismo de direita de Netanyahu, transitando pelo execrável Putin e o fundamentalismo islâmico do Hamas.
E agora veio se somar a conduta errática de Donald Trump, com atitudes absurdas, inconsequentes e infantis, uma vergonha para o dirigente da nação mais poderosa do mundo. Elogia e logo em seguida ameaça Putin; humilha e depois promete mísseis Tomahawk para Zelensky (voltou atrás logo em seguida) e depois de ajudar com seus poderosos armamentos o genocida Netanyahu a matar milhares de crianças, mulheres e idosos, celebra um acordo de cessar-fogo com o intuito de ser agraciado com o Nobel da Paz, felizmente concedido a Maria Corina Machado em sua luta contra o insano Maduro.
E deu um ultimato para Zelensky, impondo um plano de paz humilhante para a Ucrânia, mais um aceno para Putin nestas caóticas idas e vindas. Last, but not least, está sendo obrigado a rever o seu tarifaço ideológico contra o Brasil, por forte pressão de empresários e da opinião pública. Afinal, os americanos não podem ficar sem o hambúrguer nem o café de todo dia. Enfim, um completo tonto, para não dizer coisa pior (medo da lei Magnitsky).
Infelizmente, estamos vivendo um momento de grande turbulência, guerras sem sentido, desequilíbrios ambientais, corrupção em vários níveis de poder, ativismo do judiciário, etc. O que mais se vê nas redes sociais são intolerâncias de todo gênero, calúnias, difamações e fake news. Para a maioria das pessoas, “ter” supera o “ser”, um bom saldo bancário vale mais que a cultura e a sabedoria, um carro importado “ultrapassa” a honestidade e a honra. O egoísmo, a prepotência e a arrogância estão acima do amor ao próximo; a liberalização dos costumes condena nossos jovens às drogas e ao sexo desenfreado, com graves consequências. A busca por padrões estéticos definidos pela mídia, com óbvios interesses comerciais, condena as pessoas a dietas mirabolantes e procedimentos cirúrgicos desnecessários, gerando efeitos adversos como bulimia, anorexia e até o suicídio.
Dizem que a cada Era surge um avatar, uma divindade que “desce” do plano espiritual para o plano terreno com o propósito de guiar a humanidade, restaurar a ordem e preservar a retidão . Vai ter muito trabalho o nosso avatar.
Por Benito Gorini
26/11/2025 - 14:42 Atualizado em 26/11/2025 - 14:47
Caro leitor , não é uma fábula de Esopo ou La Fontaine - como o título poderia sugerir - mas sim uma homenagem aos maiores clubes de futebol de Criciúma. Em outubro de 2019, o Projeto Cultura Acic homenageou os 60 anos de atuação profissional do Esporte Clube Metropol, clube de tantas glórias e que projetou o nome de Criciúma além-fronteiras, na época uma cidade praticamente desconhecida no Brasil.
Na ocasião, foi montada na Galeria de Arte da Acic a exposição "Memórias do Metropol", com objetos que retrataram a história do clube, como troféus, faixas de campeão, fotografias originais, quadros, bandeiras e camisas. Em dez anos, foram cinco títulos catarinenses e 466 partidas em sua fase profissional, de 1960 a 1969. Ao todo, foram 265 vitórias, 113 empates e 88 derrotas. Não estão incluídas as partidas do período amador entre 1945 e 1960. O Metropol enfrentou equipes como Grêmio, Atlético Mineiro e Botafogo pela Taça do Brasil, além de ter realizado uma das maiores excursões de um time brasileiro pela Europa. Foram 23 partidas em 5 países, com 13 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Marcou 53 gols e sofreu 35, com saldo positivo de 18 gols.
No sábado passado, ocorreu, no Nações Shopping, a première do documentário “Metropol: A História Vive”, comemorando os 80 anos da fundação do clube e relembrando sua trajetória, conquistas e a paixão ainda presente no coração de muitos criciumenses.
Entrevistas concedidas à repórter Maria Alice Cavaler l YouTube: Metropol - Memórias de um time que fez história no futebol catarinense
Infelizmente, tive que alterar o final do texto. Acreditei - como a maioria da torcida carvoeira - que o Criciúma conseguiria o acesso para a Série A. Que pena, ficamos de fora por apenas 1 pontinho. Mas isto não invalida as glórias conquistadas pelo Tigrão, que até ultrapassaram os feitos do Metropol. E pela quantidade de títulos merece um blog especial. Já o Comerciário, meu clube de coração e antecessor do Criciúma, conquistou apenas o Campeonato Catarinense de 1968. Mas era o Mais Querido e o Bacharel da Pelota. Grande consolo. Pelo menos ficou a frente do Próspera e do Atlético, que não conquistaram nenhum. Por outro lado eles ganhavam do Metropol. E nós só surra.
Mas para aliviar um pouco a tristeza que se abateu sobre a cidade, vamos relembrar a gloriosa campanha do título da Copa do Brasil de 1991.
YouTube: Trajetória do Criciúma na Copa do Brasil de 1991 | Gabriel Arthur
Por Benito Gorini
07/11/2025 - 09:15 Atualizado em 07/11/2025 - 09:23
Em 22 de outubro de 1890 a empresa norte-americana Ângelo Fiorita & Cia, com sede no Rio de Janeiro, celebrou um contrato com a União comprometendo-se a desenvolver um projeto agrário para 20 povoações em vários estados. Para o sul de Santa Catarina foi nomeado como diretor o siciliano Michele Napoli. Em junho de 1891 a empresa Ângelo Fiorita & Cia cedeu os direitos para a Companhia Metropolitana, que ficou efetivamente responsável pela colonização da área. Foi criada então a Colônia Nova Veneza, a primeira do Brasil-República. Iniciou as suas atividades com cinco núcleos: Nova Veneza - a sede da colônia - Nova Belluno, Nova Treviso, Jordão e Belvedere. Esta ampla região compreende atualmente os municípios de Nova Veneza, Siderópolis, Treviso e regiões de Criciúma, Cocal do Sul, Urussanga e Forquilhinha.
Os nossos antepassados emigraram para o Brasil em situação de grave penúria, motivada pela grande instabilidade política, religiosa e econômica. As lutas pela unificação da Itália, a perda do poder temporal da Igreja e a mecanização, com o consequente desemprego e empobrecimento da população, foram importantes fatores da imigração, principalmente do norte da Itália, principal teatro de operações das batalhas contra o Império Austro-hungaro. Aqui “I nostri antenati” enfrentaram toda a sorte de problemas, transformando-se em autênticos desbravadores. Com a força de seus braços, a criatividade e a ousadia empresarial, forneceram o arcabouço para o enorme crescimento econômico e material de nossa região.
A gastronomia, a dança folclórica, o canto coral e a música instrumental contribuíram sobremaneira na preservação das tradições. Devemos portanto louvar a atitude da Câmara de Vereadores de Nova Veneza, que sob o comando do seu presidente Elton Nuernberg prestou uma honrosa homenagem às entidades que bravamente - lutando muitas vezes com grandes dificuldades - mantiveram a italianidade.
A sessão solene comemorando os 134 anos da Colônia Nova Veneza ocorreu na noite de sexta-feira, 30 de outubro, em belo cerimonial conduzido com a competência habitual por João Paulo Messer. O público presente que superlotou o auditório da câmara foi recepcionado pelo presidente Elton Nuernberg, a prefeita Ângela Ghislandi e o vice-prefeito Edésio Spilere. Várias autoridades civis e militares se fizeram presentes, prestigiando o evento. A enorme tela do importante pintor Pedro Weingartner, retratando Nova Veneza em 1893, abrilhantou a cerimônia e serviu de pano de fundo para as sessões de fotos. No encerramento Márcio Fumagalli, Conselheiro do Consulado Italiano do Paraná e Santa Catarina e “Cavaliere della Repubblica Italiana”, discursou agradecendo em nome dos seguintes homenageados:
Circolo Vicentino de Nova Veneza e Região
COMVESC
Coral do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio
Coral Infanto juvenil Os Pequenos Peregrinos
Coral Peregrinos da Montanha
Coral São Marcos
Grupo Folclórico Ítalo-Brasileiro de Nova Veneza
Grupo Musical Eco di Venécia
Grupo Musical Roba da Ciodi
Grupo Fogletin della Montagna
No final da cerimônia foi exibido o escudo com o Emblema da Agencia Consular de Nova Veneza, enviada da Itália no reinado de Vitorio Emanuelle III.
Meu avô Mário Gorini, o primeiro Agente Consular de Nova Veneza, recebeu o escudo em 1940.
Enfim, uma noite maravilhosa na capital da Gastronomia típica italiana.
Planta da Colônia Nova Veneza | Encarte do livro História de Nova Veneza, de Zulmar BortolottoAroldo Frigo Júnior, Agente Consular de Nova Veneza, Márcio Fumagalli, Conselheiro do Consulado Italiano do Paraná e Santa Catarina, Norma Maria Da Rui, Agente Consular Honorária da Itália em Blumenau e o colunista | Foto cedida por Aroldo Frigo JúniorDocumento original de 1940 assinado por Oswaldo Aranha, Ministro das Relações Exteriores nomeando Mário Gorini como Agente Consular de Nova Veneza | Foto: Arquivo pessoalTela de Pedro Weingartner na Prefeitura de Nova Veneza, retratando a cidade em 1893. | Arquivo pessoal
Por Benito Gorini
09/10/2025 - 11:04 Atualizado em 09/10/2025 - 11:22
Estamos comemorando no presente ano de 2025 os dez anos do Projeto Cultura Acic, graças à grande visão de futuro do ex-presidente César Smielevski, que percebeu a importância de envolver a entidade -primordialmente ligada a atividades econômicas- com educação e cultura, formas de elevar o nível da cidade e situá-la em melhor posição no ranking do IDH, importante indicador de qualidade de vida. Moacir Dagostim, Valcir Zanette e Franke Hobold, que o sucederam na presidência, continuaram a apoiar a iniciativa, sendo a única entidade empresarial do estado a contar com um projeto e espaço cultural.
Nesta década de existência foram apresentadas na Galeria de Arte da Acic exposições nas diversas vertentes da cultura, como mostras de pintura, escultura, fotografia, tapeçaria, mosaico, cerâmica e eventos ligados ao carvão e ao Esporte Clube Metropol, que projetaram o nome de Criciúma além-fronteiras. Concertos de música popular e erudita, canto lírico, danças folclóricas, cinema, lançamento de livros e palestras sobre arte também fizeram parte do projeto.
E às 19h da próxima terça feira, dia 14 de outubro, teremos um evento inédito na nossa Galeria: um leilão beneficente visando arrecadar fundos para a APACRI, Associação Protetora dos Animais de Criciúma. A ONG agradece a generosa doação de 24 artistas e ao Dr Daniel Garcia, leiloeiro que conduzirá os trabalhos na noite especial. A solenidade de reativação da APACRI ocorrerá na abertura do evento, com projetos já em andamento como construção de casinhas para cães comunitários, Banco de Ração e Farmácia Pet, além de atividades de conscientização nas feiras, redes sociais e participação em programas de diversos meios de comunicação.
Convite para o Leilão da Apacri na Acic
Casinhas para cães comunitários construídas por detentos da Penitenciária Sul Criciúma, com o apoio de várias empresas
Por Benito Gorini
03/10/2025 - 13:19 Atualizado em 03/10/2025 - 14:48
Excelente matéria da jornalista Isabella Lima no portal Terra sobre a gravidade da poluição em Cubatão nas décadas de 1970-80, demonstrou que políticas públicas bem conduzidas e duradouras podem levar a resultados fantásticos. A cidade, considerada a mais poluída do planeta pela ONU, recebeu o título de “Vale da Morte”. A jornalista descreve : “A situação atingiu seu ápice de gravidade na extinta Vila Parisi, comunidade situada no coração do polo industrial. Os efeitos graves da poluição foram sentidos em doenças de pele, câncer e dezenas de casos de anencefalia, condição em que bebês nascem sem cérebro ou sem uma parte dele”. E continua: “O ponto de virada começou a tomar forma nos anos 1980, após a tragédia da Vila Socó em 1984, que matou 93 pessoas. Impulsionada pela pressão da sociedade e de autoridades, a cidade iniciou um longo processo de recuperação que passou principalmente por dois fatores: fiscalização mais rigorosa pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e um massivo plantio de árvores”.
A nossa região passou por uma situação semelhante. O passivo ambiental gerado pela mineração do carvão foi enorme. Felizmente novos conceitos surgiram e a recuperação de grandes áreas está sendo realizada. Nos meus passeios de moto por trilhas e estradas vicinais pude constatar in loco a revitalização do Rio Morosini e do Rio Fiorita, devastadas pela extração a céu aberto da dragline Marion 7800, escavadeira gigante da CSN que operou entre o final de década de 1950 e o início da década de 1990. Mas muito ainda precisa ser feito, como a despoluição de mananciais hídricos e de outras áreas degradadas. Meu sonho, que infelizmente não vai se realizar na minha existência, é que o Rio Mãe Luzia volte a ter límpidas águas, permitindo atividades de lazer e refrescantes banhos nos tórridos dias de verão, como eu costumava fazer na minha juventude.
Youtube. Siderópolis e Treviso Histórico – Mineração Marion 7800 SC – Estevão e Elizeu de Sousa
Por Benito Gorini
17/09/2025 - 13:21 Atualizado em 17/09/2025 - 13:23
Aficionado da F1, acompanho a categoria desde 1972, quando Émerson Fittipaldi foi campeão e abriu as portas da competição para milhões de brasileiros. Os domingos eram mais alegres, com as brilhantes conquistas de Piquet e Senna, até o trágico acidente na curva Tamburello em Ímola. Embora as vitórias de Barrichello e Massa trouxessem um novo alento, não eram a mesma coisa. Senna era a prova viva que um piloto conseguia superar os limites do carro. Sua memorável corrida na chuva em Mônaco, chegando em segundo lugar com um Toleman - bem inferior aos demais carros – mostrou toda a sua perícia em pilotar em condições adversas. A prova foi interrompida quando ele estava prestes a ultrapassar o líder Prost. Interessante que o diretor da prova era o belga Jacky Ickx, seis vezes vencedor na tradicional 24 horas de Le Mans e famoso por sua habilidade em pilotar na chuva. Freud explica ? A histórica primeira volta de Senna em Donington Park em 1993, quando liderou após largar em quarto lugar, continua insuperada. Mas Rubinho também fez uma corrida espetacular, provando que também era um excelente piloto na chuva.
Atualmente a F1 perdeu muito do glamour da fase romântica, em que pilotos como Jim Clark, Piquet, Lauda, Senna, Prost e o leão Mansell faziam a diferença. Estava presente em Tarumã, quando o arrojado Ronnie Peterson deu um show de pilotagem, derrapando nas curvas do circuito. Infelizmente o jovem piloto italiano Giovani Salvati faleceu ao se chocar contra um guard-rail mal posicionado. E Peterson também perderia a vida ao sofrer um acidente com a sua Lotus em Monza, no dia 10 de setembro de 1978. Com Vettel e Schumacher a tecnologia embarcada nos bólidos já começou a dar as cartas. Atualmente o melhor carro vence, apesar de gênios como Verstappen conseguirem tirar mais do que eles têm a oferecer. E a supremacia da tecnologia, relegando o desempenho dos pilotos - embora importante - a um segundo plano, ficou muito evidente no recente GP de Monza, onde na Prova de Qualificação , o Q1, os 20 pilotos ficaram com menos de 1 segundo de diferença. Senna, com suas 65 pole positions, frequentemente abria mais de 1 s para o segundo colocado. Que saudades !
Depoimento de Neil Trundle - mecânico chefe da McLaren - e de outros membros da equipe sobre a “lap of the gods” de Senna em Donington Park