Sempre fui um apaixonado pela Mitologia Greco-romana. Creio que as instituições responsáveis por investigações criminais têm a mesma paixão. Pelo menos utilizam com frequência termos mitológicos para denominar suas operações. No mundo das artes está influência é enorme, com livros, peças teatrais, filmes, esculturas, pinturas, sinfonias e óperas inspiradas no tema, algumas diretamente relacionadas a Caronte ou ao Hades. A peça teatral Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, as óperas Orfeu nos Infernos, de Offenbach e Orfeu e Eurídice, de Gluck são alguns exemplos.
Caronte é o barqueiro responsável por transportar as almas através dos rios Aqueronte e Estige, no Hades, o mundo dos mortos e também o nome de seu deus, o Plutão dos romanos. Caronte cobrava o óbulo pelos seus serviços. Por isso era comum a colocação de moedas na boca (ou sobre os olhos) dos falecidos para o devido pagamento. Quem não o fizesse seria transportado de graça, mas teria que ficar vagando pelas margens dos rios por 100 anos. Será que Bolsonaro - que por sinal é mito - e Lula também tiveram essa inspiração ao exigir 100 anos de sigilo para documentos comprometedores?
Mas voltemos ao assunto. Posteriormente foi criado um local para a alma dos justos, os Campos Elísios. Já os ímpios seriam condenados ao castigo eterno no tártaro, local no submundo com grutas, cavernas profundas e os locais mais terríveis do Hades. Seria este o destino da maioria dos políticos? Possivelmente. Pelo menos não teriam problemas para pagar o óbulo para Caronte. Como o Real está muito desvalorizado, o barqueiro só aceitaria Dólares ou Euros. Mas acho que os preferidos seriam os Francos-suíços.
Finalizando, fazendo uma pequena alteração no bordão de Sérgio Jockymann: Pensem nisso ... enquanto lhes digo até a próxima terça-feira.
Vídeo
O Can Can “Galope Infernal" , gran-finale da ópera Orfeu nos Infernos de Offenbach | Fonte: youtube/EuroArtsChannel/Orchestre de Paris