Após 10 anos de historia na cidade que escolhi viver lá em 2007, faço várias reflexões e fico a pensar em tudo o que aconteceu de lá pra cá.
Eu tinha 26 anos e morava com a minha mãe e minha irmã em Porto Alegre, depois de sair de São Paulo onde nascemos. Dividia meu dia entre trabalho, estudo e treinos para o esporte que pratico desde 1994. A vida sempre foi corrida, os três trabalhando para honrar as contas do mês e eu me virando para praticar o Triathlon, esporte que contempla natação, ciclismo e corrida.
Iniciei um namoro no final de maio de 2006. Dois meses depois, a então namorada passou num concurso para uma vaga de professora na UNESC. Resolvemos continuar o namoro mesmo a distância e nos veríamos somente aos finais de semana. Era difícil, era sofrido, mas era o que tínhamos.
Minha primeira impressão lá em 2006, vindo aos finais de semana, era que a cidade era legal.
Conheci algumas pessoas do esporte, entre elas o João Garcez, que me apresentou as estradas para pedalar. Quem me conseguiu esse contato tinha sido o Augusto Freitas, que na época tinha uma “lojinha” de bicicletas. Essas primeiras amizades foram de suma importância para que eu começasse a pensar seriamente em morar aqui.
Aquela semente foi aflorando a partir de pensamentos ainda muito pequenos, ainda com medo de sair daquela situação confortável onde me encontrava.
A mudança era aparentemente de cidade, saindo de Porto Alegre e vindo a Criciúma. Porém significava muito mais. Significava sair “das barras da saia da mãe” e adentrar na “vida adulta” Significava deixar para trás uma historia naquela cidade, onde me formei, onde aprendi, onde criei amigos, enfim, onde era o meu porto seguro, com emprego, casa e roupa lavada.
Enfrentar uma mudança radical, ir para um lugar até então desconhecido, sem saber onde trabalhar e ter acima de tudo que conquistar novamente um espaço no mercado de trabalho.
Eis que após algumas mudanças no trabalho em Porto Alegre, surgiu a possibilidade de mudar totalmente a minha vida. Em 2007 resolvemos arriscar e eu vim literalmente de mala e bicicleta.