A pesca cooperativa, entre pescadores e botos, é um fenômeno raro que ocorre na Foz do Rio Araranguá e em outros poucos estuários no Sul do Brasil. Agora, a prática que une os humanos com os animais pode ser reconhecida como patrimônio imaterial. Segundo o professor do Departamento de Antropologia da UFSC, Caetano Sordi, que também coordena a iniciativa, a prática será estudada, em um convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IFAM), visando documentar e preservar essa tradição.
"O trabalho consiste em elaborar um dossiê escrito que conta quem são os detentores desse bem, onde acontece, sua história e recomendações para sua salvaguarda", explica Sordi, em entrevista ao Programa Adelor Lessa, da Rádio Som Maior, nesta quarta-feira (26). A parceria foi firmada após um pedido de reconhecimento vindo de Laguna e Tramandaí, onde a pesca com botos é conhecida a mais tempo.
A tradição funciona, inclusive, para a criação de relações afetivas entre os animais e os pescadores, além de impulsionar a economia local. "Existem relações que são muito afetivas, muitos pescadores dizem que os botos são seus amigos, dão nomes para esses botos, são verdadeiros parceiros de trabalho, que configuram uma relação que é única no mundo", destaca o professor. "Os botos ajudam os pescadores a encontrar cardumes, e o movimento das tarrafas atordoa os peixes, facilitando a captura pelos próprios botos", acrescenta.
Ouça, na íntegra, a entrevista do professor, ao Programa Adelor Lessa: